sábado, agosto 20, 2005

A Dimensão Humana junto às Tecnologias de Comunicação (TC's)

Será que, em verdade, as TC's são instrumentos auxiliares no aumento da produtividade de trabalho? Gostaria de saber como é medida essa tal de produtividade, principalmente pelas entidades governamentais nordestinas. Alguns investigadores argumentam e fundamentam que a inclusão de TC’s no processo produtivo não acarreta, necessariamente, aumento de produtividade*. Por enquanto concordo com eles.

No setor industrial, no comercial, no mercado informal, no terceiro setor o advento das TC's sugere maior produtividade. Este aspecto do trabalho (produtividade), quando aumenta, acarreta o que, a quem? Segundo relatórios do Departamento de Comércio dos Estados Unidos da América, pelo menos um terço do vigoroso crescimento da economia americana nos últimos 5 anos é explicado pelas tecnologias da informação e comunicação (TICs).
No Brasil, e na América Latina, é o mesmo?

Alguns políticos afirmam, principalmente, no Nordeste que na "sociedade da informação", o recurso escasso não é a infra-estrutura. Esta nós temos (me pergunto aonde existe tal infra???). Além disso, os mesmos afirmam em seus discursos que o recurso fundamental é a mão-de-obra qualificada, e essa nós, também, temos e podemos formar.

Do meu ponto de vista, ou seja, de alguém (acadêmico) que recebe para produzir produto (material e/ou serviços) e não para discursar metáforas ideológicas (políticos), estamos formando:
1 - escravos das tecnologias (estes nós temos - já somos)
2 - mão-de-obra qualificada: nós temos mas, com certeza, uma porcentagem mínima da população.
3 – enquanto formar esta mão-de-obra: tarefa lenta - é só dar uma olhada na situação da educação nordestina – e porque não brasileira???


É bom lembrar que Computação e Física, na UFPE, vão muito bem obrigado. Notas “A” no MEC, alunos premiados pelo mundo afora, professores doutores...enquanto isso na porta dos departamentos vemos pessoas pedindo ajuda para comer um lanche...outros para lavar o carro por R$1,00, (mizero Real).

Classe social dominante “possuir” TC's é classe, luxo, status...é manter o social como está.
Pobre “ter” TC's é tomar iniciativa...endividar-se é inclusão social...ter celular e não saber ler é tornar o "ecossistema" nordestino mais competitivo.

Acredito em ações sociais participativas.

Mas a realidade, nua e crua, das ruas do Recife não condiz com a seguinte afirmação:

"...O que é preciso é uma ação articulada entre governos, empresas e universidades, para garantir um ecossistema competitivo de empresas e instituições de tecnologia da informação em cada grande cidade nordestina [o q sugere ser uma cidade grande? No sentido aqui descrito, ficou entendido referir-se apenas às capitais nordestinas. E o restante?]. Em Pernambuco, o Governo do Estado resolveu investir nessa alternativa, aproveitando a excelente qualificação do Centro de Informática da UFPE, e lançou o projeto Porto Digital. O Governador Jarbas Vasconcelos resolveu investir 33 milhões de reais na criação de fundos de capital de risco e de qualificação de recursos humanos [quem vai qualificar os desqualificados?], além de apoiar a instalação no Bairro do Recife de uma plataforma de negócios capaz de gerar e consolidar empreendimentos de classe mundial [ a classe local, fica a ver navios?] na área de tecnologia da informação".**
Ao lado deste empreendimento tecno-científico, existe a favela mais favela do Estado de Pernambuco [favela do Pilar].
Será que é este tipo de ação política “pública”, que leio nos artigos de estudiosos da Ciência da Informação no país afora que devemos apoiar? De certo, não vejo os mesmos ao menos indagando se houve ou não um planejamento junto às comunidades envolvidas. Não sei onde vamos parar. Enquanto estudante de biblioteconomia não sei se o que vejo, e o que leio, é antagônico ou complementar. Talvez tenha que ler e ver mais. Talvez já baste.

Alguns até podem creer que através das TC's o bibliotecário e/ou o arquivísta possam auxiliar no processo social de inclusão dos desinformados e dos injustiçados. Em verdade, me questiono: até que ponto?

Vejo “todos” (assumo aqui a falácia de generalização) preocupados em conseguir e manter emprego. Vejo muito poucos que querem trabalho.

O último trem está para partir...mas na Estação, faltou Luz.

Ser intelectual é, antes de tudo, resultado da intelectualização do ser. (SALCEDO, 2005).

Diego Salcedo.
Graduando de BiblioteconomiaUFPE

* WAINER, Jacques. O Paradoxo da produtividade. In: RUBEN, Guilhermo (Org.). Informática, organizações e sociedade no Brasil. São Paulo: Cortez, 2003, p. 13-55.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Nota sobre: "A inclusão digital não se faz a custa de vitimas".

Me agradou ver que algumas pessoas, em algum fórum longínquo,
pararam para ampliar o pensamento sobre a tecnociência
(inclua-se bibliotecas digitais) e sua relação com a sociedade.

Outrossim, é bom lembrar que a vitimização humana independe
da inclusão digital
. Nós somos vítimas desde que nascemos,
de um modo ou de outro.

Gostei de ler que admite-se a existência de diferentes culturas,
acarretando necessariamente a existência de diferentes
conteúdos digitais, respeitando as biodiversidades sociais.

Por outro lado, ainda me questiono sobre:
O que significa dizer socializar a informação???

Estou, por enquanto, pensando que diante da grande metamorfose
que a Terra e os humanos estão passando, não é tão simples
definir essa questão. Perece que um jargão é desementido
com outro, faltando cautela no pensamento para encontrar um equilibrio.


Vou mais além.

A informação enquanto ente, já possui no seu ser a característica do social.
O que chama a atenção, é como o indivíduo media entre o ser da informação,
suas próprioas necessidades e, como a disponibiliza para os outros (sociedade)???


Segue-se com as reflexões sobre a informação enquanto ente existente
e que, no mínimo, merecem todo tipo de sugestões para ampliar
o conhecimento sobre o assunto.


Acredito que os fonêmas social e democracia, possuem valor representativo
relevante para todos. Mas, talvez, deva-se ter mais "carinho" quanto ao uso
exagerado dessas signifações.


Tudo em exagero, tranforma-se em desperdício (SALCEDO, 2005).

Diego Salcedo
Graduando
Biblioteconomia - UFPE

quarta-feira, agosto 10, 2005

Em resposta...

Eu e Diego Salcedo por vezes temos idéias bastante parecidas sobre uma série de assuntos. Mas, como conhecimento se desenvolve mais fortemente sobre pontos contrários, questionamentos e a necessidade de se provar, demonstrar o isso ao invés do aquilo, também temos opiniões contrárias. Parece que uma deles é sobre como a pesquisa, especialmente no meio acadêmico, deve ser usada, tema citado nesse post escrito por Diego. Qual o proposito das pesquisas feitas em universidade qualquer? Para que diacho tentamos transformar alunos mais preocupados em tomar umas e outras em cientistas que, ora, além de tomar umas e outras, façam pesquisa séria?

A meu ver, o propósito é aproveitar a inteligência de muita gente para beneficiar tantas outras além do próprio inteligente. E hoje, como se faz, da melhor maneira, a pesquisa chegar até os outros? Por qual meio se faz um "estudo sobre o ciclo de vida dos girinos no interior de Floresta" influenciar positivamente a vida de outras pessoas? De maneira nenhuma, nesse caso, porque, acredite, a pesquisa é inutil até mesmo para os girinos. E é inutil como todo conhecimento que existe por si só, que foi criado com o unico entendimento de... existir por si só. Pesquisa unicamente por pesquisa, descabida de qualquer ligação real com a comunidade não faz sentido. Por outro lado, pesquisas de cunho mais pratico, nascidas e voltadas para alguma necessidade da comunidade, seja ela local ou não, têm sim um meio. Muito bem desenvolvido por sinal, talvez ainda não tanto quando possa ser, especialmente no Brasil.

O meio é o comercio! Não há ainda melhor meio para fazer a pesquisa chegar as pessoas do que comercializando os seus resultados. Claro, tudo não pode ser regido unicamente pela necessidade de empresas, mas nem é esse o assunto. Claro, deve haver pesquisa menos pop, que não gere lucro mas traga muito beneficio para a sociedade, como é o caso do soro caseiro. Não percebi exatamente qual a visão que Diego tem sobre o assunto, mas devem existir alguns pontos contrarios sobre minha opinião. Ótimo! Depois eu escrevo mais sobre o assunto, agora tenho que cuidar de outras coisas.

valeuz...

Comunidade Blastêmica

O futuro da ciência...

A tecnociência, atualmente tão aclamada, por vezes, une a supervalorização do aspecto aplicado do conhecimento com a desvalorização da pesquisa pura e do conhecimento como um
fim em si mesmo.

O princípio da difusão por toda a sociedade dos produtos teóricos e intelectuais pode, em alguns casos, dar lugar a uma intensa privatização do saber em troca de lucros.

Hoje, em vários setores, é quase impossível separar pesquisa científica de interesses e não se cumprem mais os valores de eqüidade e benefício geral, atributos natos da ciência.

Esse estado de mercantilização pode colocar em risco a ciência, se já não estamos vivendo esse processo.

O ser só é ser, enquanto AÇÃO no ser. (SALCEDO, 2005)

Diego Salcedo
Graduando - Biblioteconomia da UFPE

segunda-feira, agosto 08, 2005

Bibliotecários e/ou intelectuais...ensaio

De certo, minimizar os esteriótipos e as categorias redutoras que tanto (de)limitam o pensar e o comunicar humano é papel fundamental que reside no âmago de um ativo intelectual.
Pensava-se que o bibliotecário teria essa incumbência. Não é verdade.
O intelectual, que possui o que Foucault chamou uma vez de "erudição implacável", é dramático ao cativar a atenção do público e insurgente quando aproveita-se de raras oportunidades, como estas, que hoje vivemos no Brasil.
Deve, o intelectual, possicionar-se como indivíduo detentor de um papel público na sociedade, que não usa de um reducionismo facial ou que seja membro participativo de classes egoístas e ociosas. O bibliotecário atual, em sua grande maioria, encontra-se nesta situação, ou seja, esconde-se. Ainda, o intelectual é dotado, quando assim o quer, de uma vocação para representar, dar corpo e articular uma mensagem, uma filosofia, uma opinião baseada em fundamentos éticos e morais.
Onde estão os intelectuais brasileiros, que poderíam e deveríam confrontar as ortodoxias e os dogmas sócio-político-culturais, intrínsecos à atualidade deste imenso Estado-Nação?
Onde está o bibliotecário enquanto ativista e militante brasileiro?
Em Pernambuco, o Governador eliminou a função de bibliotecário do quadro funcional.
Não se viu nota pública de repúdio da classe. Há de se ter muita coragem para tornar uma palavra pública (escrever e publicar), oferecendo ambas as faces em defesa de uma posição, de uma causa. Não existe o intelectual politicamente correto. O que deve existir, é um que cause embaraço, que seja do contra e até mesmo, às vezes, desagradável.
O papel social deste, encontra-se no obejtivo maior e universal de promover a liberdade e o conhecimento. Não sería este também, o papel do bibliotecário???
Ainda pode-se acreditar que "as grandes narrativas de emancipação e esclarecimento" façam efeito nesta era, ao contrário do que acredita o filósofo francês Lyotard.
Para não cansar, os já cansados intelectuais e bibliotecários, deixa-se dito que falar a verdade ao poder não é idealismo panglossiano, outrossim, é pensar com cautela as alternativas, escolher a certa e então representá-la de maneira inteligente e una, onde se possa fazer o maior bem e causar a mudança correta.
Todavia, eternamente, novos paradigmas surgirão.
A metamorfose humana nunca e jamais se exauri do seu ser.

Este, crente de sua função social, sugere como leitura:
"Representações do Intelectual", de Edward W. Said, Cia. das Letras, 2005.

O ser só é ser, enquanto AÇÃO no ser. (SALCEDO, 2005)

Diego Salcedo
Graduando - Biblioteconomia da UFPE