APIs que não mordem.

Enquanto lia, constatei que a comunidade Java realmente cria ótimas APIs, boa parte pode servir como exemplo/estudo para programação e design patterns. Pode-se encontrar ótimo design em APIs como a de Collections ou IO, em um número bastante vasto de projetos open source e por aí vai. Mas, geralmente, as APIs em Java pecam por se utilizarem demais de expressões que se tornaram idiomaticas para a linguagem, ou pecam pelo excesso de zelo para escrever APIs que possam ser expandidas de acordo com a necessidade o que, de fato não as impede de ser simples. Um fato engraçado é como nem sempre as pessoas percebem que criam complicações desnecessarias. Exemplo: esses dias procurava por uma API para fazer o parse de arquivos YAML, se fizesse uma correspondencia direta do formato de um arquivo para a estrutura de uma classe, acharia perfeito. Eis que me deparo com a yaml4j - a YAML Loader/Dumper for Java. For those of us who wish Java were agile. O "agile", deixe-me explicar, fica por conta da discussão entre o formato yaml e xml. O primeiro exemplo da API é simples:
File f = new File(args[0]);Claro, não vou colocar os imports e tudo mais, apenas o uso mais direto. Nada demais, certo? Errado! O yaml4j peca por me fazer criar objetos dos quais eu não quero saber, apenas para dar suporte a interface provida, ou melhor para superar a barreira criada pela interface não oferecida. O que eu realmente gostaria de fazer é:
Reader reader = new BufferedReader(new FileReader(f));
Loader loader = new Loader();
loader.load( reader );
Object doc = loader.getDocument();
Loader loader = new Loader();Ou mais direto ainda:
loader.load("C:/my_file.yml");
Object doc = loader.getDocument();
Object doc = Loader.load("C:/my_file.yaml");É provavel que muita gente diga que aí eu não poderia usar outros tipos de Reades, ou seja lá o que for, para fazer o load do arquivo. Não é verdade, simplesmente. Não o é porque quero apenas uma interface mais direta e não uma mais resumida, por mim o exemplo anterior poderia existir à vontade, mas a API deveria me prover métodos mais diretos. Outros com certeza dirão que, por ser código Java, eu poderia criar uma pequena extensão para a API, parar de reclamar e resolver o problema. Também não é verdade, ao menos para mim, pois estou preocupado em resolver os problemas do meu dominio e não em escrever linhas e mais linhas para dar suporte a API.
O ponto realmente é: se algo tem chance de ser usado com uma freqüência muito grande, vale a pena livrar as classes clientes da tralha, esconder a complexidade e prover uma interface para operações mais diretas. Exatamente assim:
require 'yaml'Ou, para ninguém ficar na bronca, para não pensarem que quero ver Java morta e enterrada, um exemplo da APIs que usei (alterei apenas para facilitar a leitura, mas perceba: é um correspondente direto para o código em Ruby):
doc = YAML::load(File.open('C:/my_file.yml'))
File file = new File("ReceiptEntry.yml");Um outro exemplo para mim é o Mentawai, apesar de o último release apresentar bons métodos para facilitar o uso do ActionConfig, poderia prover métodos como addForward, addRedirect, addNull. São consequences muito usados, então, por que não facilitar a vida? O addConsequence continua para permitir consequences customizadas.
Entry entry = Yaml.loadType(file, Entry.class);
Enfim, boa parte dos desenvolvedores Java - outras linguagens também, eu sei - deveria aprender a manter as APIs que desenvolvem tão simples quanto possível, mesmo que isso implique a criação de metodos a mais, um pouco de esperteza vai evitar copy and paste. Isso vale para desenvolvimento de classes que não formam uma API propriamente dita, mas que podem muito bem oferecer uma interface mais amigavel. As APIs nem sempre precisam estar prontas para salvar o mundo, às vezes precisam apenas carregar um arquivo YAML.
valeuz...
7 Comentarios:
Sem falar que estas expressões idiomáticas são uma ótima desculpa para repetir código. Este código de abertura de arquivo necessário para o uso da API para YAML, por exemplo, pode começar a "brotar" nos lugares mais inusitados. E quem fez isso vai simplesmente dizer algo do tipo "Deixa pra lá, isso é só o jeito Java de fazer a coisa. É uma expressão idiomática altamente difundida." Se você reclamar, pode ser até que digam que é você que não sabe programar.
Acho que não é preciso dizer que repetição de código não é o que queremos. Definitivamente.
Tem um artigo excelente sobre isso do Brian Foote. A página é horrível, a idéia de "sobrevivência" é meio esquisitona, mas os padrãoes são excelentes:
http://www.laputan.org/selfish/selfish.html
Opa, eu sinceramente adoro essa forma como são feitas as APIs do java. Acho que quando tu vai distribuir uma API, tu tens que deixar ela o mais aberta possivel para novas implementações, cabe ao usuário implementar coisas novas a seu gosto nesse caso a API não fica amarrada há algumas facilidades que ela poderia prover. Quando tu abstrai demais um problema, tu infelizmente acaba escravizando novas implementações que possam vir por causa dessa abstração que tu fizestes. Uma abstração geralmente encolhe passos necessários para fazer determinada coisa mas quando tu tens a necessidade de se mudar alguma coisa no núcleo(bug, atualização) da API, irremediavelmente tu acaba tendo que fazer gambiarras para remendar a abstração que a API te proveu anteriormente.
Falou...
Camarada, vai aprender a programar, vai.
> Camarada, vai aprender a programar, vai.
Anonymous (bonito nome), eu bem que tento. Eu bem que tento. :-D
valeuz...
Giuliano, abstrair não quer dizer necessariamente que você está impedindo a extensibilidade ou a flexibilidade ;)
> thiago arrais said...
> Se você reclamar, pode ser até que digam
> que é você que não sabe programar.
> Anonymous said...
> Camarada, vai aprender a programar, vai.
Coincidência?
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